Desistência no curso de
engenharia coloca em risco desenvolvimento do País
Complexidade das matérias e falta de estímulo
dificultam permanência de alunos nos cursos
Alexandre Saconi, do R7
A formação de engenheiros é vista como um ponto crítico para o
desenvolvimento do País. O curso demora, em geral, cinco anos, e atualmente é
mais procurado do que o direito nos vestibulares. Porém, a maioria dos alunos
desiste antes de completar os estudos.
Levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) revela que
57,4% dos alunos abandonam a faculdade de engenharia no meio do curso. Entre os
especialistas ouvidos pelo R7, os principais problemas que levam à evasão são a
deficiência em matemática e física, o valor das mensalidades, a falta de
experiências práticas durante o curso, além da escolha prematura do tipo de
especialização.
Richard K. Miller, presidente da faculdade norte-americana de engenharia
Franklin W. Olin, defende que o trabalho em equipe pode ajudar a superar os
problemas com a formação básica dos alunos.
— Matemática pode ser frustrante. Você começa a trabalhar em um problema e para em uma dificuldade. Se você tem uma pequena equipe, quando encontrar uma dificuldade, você pode ultrapassá-la.
No Brasil, o Pró-Engenharias (Programa de Apoio ao Ensino e à Pesquisa
Científica e Tecnológica em Engenharias) possui uma parte específica dedicada à
tutoria, que se encontra em fase de implementação. O programa é uma iniciativa
da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), e quer
implantar um sistema de acompanhamento amplo dos alunos de engenharia.
Jorge Almeida Guimarães, presidente da Capes, defende a tutoria como uma
ferramenta de motivação para o aluno sanar os problemas nas matérias com maior
deficiência.
— A ideia é pegar alunos que têm deficiência em matemática, física e química e estudam engenharia para ganharem uma bolsa para não precisarem trabalhar e se dedicarem aos estudos. [...] Segundo, se há dificuldade [nestas matérias], nós vamos colocar um bom aluno na área, ganhando bolsa da Capes, para tutorar outros quatro ou cinco.
Guimarães destaca que a tutoria funcionaria como uma pirâmide. Um grupo
de alunos atuaria junto a um tutor, e um grupo de tutores iria atuar junto a um
professor. Todos seriam ligados à Capes e receberiam bolsas do órgão.
Raros casos fogem a esta realidade da evasão. Este é o caso do ITA
(Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e do IME (Instituto Militar de
Engenharia), onde a evasão é inferior a 5%.
Murilo Celso Pinheiro, presidente da FNE (Federação Nacional dos
Engenheiros), alerta para a necessidade de se formar mão-de-obra qualificada no
mercado.
— Ao longo de
mais de duas décadas de estagnação, a engenharia perdeu relevância e os
profissionais se viram sem espaço para atuar. Com isso, para os estudantes, a
engenharia não era tão atraente. Porém, hoje, o cenário é outro. Por isso,
precisamos fazer com que os jovens enxerguem a engenharia como a profissão do
momento e do futuro.
Jorge Guimarães, da Capes, já destaca a importância da qualidade dos
cursos, a que não seria necessário abrir mais vagas.
— Não precisaríamos abrir mais vagas de engenharia, mas trabalhar para ocupar as vagas ociosas, que ficam desocupadas devido à evasão dos alunos.
— Não precisaríamos abrir mais vagas de engenharia, mas trabalhar para ocupar as vagas ociosas, que ficam desocupadas devido à evasão dos alunos.
FONTE: R7
publicado em 05/08/2013 às 00h30:
As dificuldades para realização da graduação de Engenharia Civil e a permanência do profissional no mercado de trabalho se da em minha opinião pela má formação nas disciplinas de base como a matemática e a física nas etapas iniciais. Ao chegar na graduação o discente se depara com uma realidade totalmente diferente, e assim se sente desestimulado... Se esse não consegue superar essa dificuldade, dificuldades essas por uma falha no processo de formação, ele acaba desistindo do curso.
ResponderExcluirFalta realmente nas maiorias das universidades programas de incentivos e de nivelamento para permanência desses discentes.
Vale ressaltar, que a maioria das universidades priorizam a formação do engenheiro calculistas e esquecem de incentivo a realização de estágios para uma maior preparo e inserção no mercado de trabalho.