quinta-feira, 29 de maio de 2014

Desistência no curso de engenharia coloca em risco desenvolvimento do País

Complexidade das matérias e falta de estímulo dificultam permanência de alunos nos cursos


Alexandre Saconi, do R7

A formação de engenheiros é vista como um ponto crítico para o desenvolvimento do País. O curso demora, em geral, cinco anos, e atualmente é mais procurado do que o direito nos vestibulares. Porém, a maioria dos alunos desiste antes de completar os estudos.
Levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) revela que 57,4% dos alunos abandonam a faculdade de engenharia no meio do curso. Entre os especialistas ouvidos pelo R7, os principais problemas que levam à evasão são a deficiência em matemática e física, o valor das mensalidades, a falta de experiências práticas durante o curso, além da escolha prematura do tipo de especialização.
Richard K. Miller, presidente da faculdade norte-americana de engenharia Franklin W. Olin, defende que o trabalho em equipe pode ajudar a superar os problemas com a formação básica dos alunos.

— Matemática pode ser frustrante. Você começa a trabalhar em um problema e para em uma dificuldade. Se você tem uma pequena equipe, quando encontrar uma dificuldade, você pode ultrapassá-la.
No Brasil, o Pró-Engenharias (Programa de Apoio ao Ensino e à Pesquisa Científica e Tecnológica em Engenharias) possui uma parte específica dedicada à tutoria, que se encontra em fase de implementação. O programa é uma iniciativa da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), e quer implantar um sistema de acompanhamento amplo dos alunos de engenharia.
Jorge Almeida Guimarães, presidente da Capes, defende a tutoria como uma ferramenta de motivação para o aluno sanar os problemas nas matérias com maior deficiência.

— A ideia é pegar alunos que têm deficiência em matemática, física e química e estudam engenharia para ganharem uma bolsa para não precisarem trabalhar e se dedicarem aos estudos. [...] Segundo, se há dificuldade [nestas matérias], nós vamos colocar um bom aluno na área, ganhando bolsa da Capes, para tutorar outros quatro ou cinco.
Guimarães destaca que a tutoria funcionaria como uma pirâmide. Um grupo de alunos atuaria junto a um tutor, e um grupo de tutores iria atuar junto a um professor. Todos seriam ligados à Capes e receberiam bolsas do órgão.
Raros casos fogem a esta realidade da evasão. Este é o caso do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e do IME (Instituto Militar de Engenharia), onde a evasão é inferior a 5%.
Murilo Celso Pinheiro, presidente da FNE (Federação Nacional dos Engenheiros), alerta para a necessidade de se formar mão-de-obra qualificada no mercado.
— Ao longo de mais de duas décadas de estagnação, a engenharia perdeu relevância e os profissionais se viram sem espaço para atuar. Com isso, para os estudantes, a engenharia não era tão atraente. Porém, hoje, o cenário é outro. Por isso, precisamos fazer com que os jovens enxerguem a engenharia como a profissão do momento e do futuro.
Jorge Guimarães, da Capes, já destaca a importância da qualidade dos cursos, a que não seria necessário abrir mais vagas.
— Não precisaríamos abrir mais vagas de engenharia, mas trabalhar para ocupar as vagas ociosas, que ficam desocupadas devido à evasão dos alunos. 

FONTE: R7
publicado em 05/08/2013 às 00h30:

Um comentário:

  1. As dificuldades para realização da graduação de Engenharia Civil e a permanência do profissional no mercado de trabalho se da em minha opinião pela má formação nas disciplinas de base como a matemática e a física nas etapas iniciais. Ao chegar na graduação o discente se depara com uma realidade totalmente diferente, e assim se sente desestimulado... Se esse não consegue superar essa dificuldade, dificuldades essas por uma falha no processo de formação, ele acaba desistindo do curso.
    Falta realmente nas maiorias das universidades programas de incentivos e de nivelamento para permanência desses discentes.
    Vale ressaltar, que a maioria das universidades priorizam a formação do engenheiro calculistas e esquecem de incentivo a realização de estágios para uma maior preparo e inserção no mercado de trabalho.

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