quinta-feira, 31 de julho de 2014

Entendendo a falácia da falta de engenheiros no mercado



As principais revistas e jornais vem anunciando incessantemente a falta de engenheiros no Brasil. Porém, para os engenheiros, desde os recém-formados aos que tem 25 anos de experiência, é um consenso que esta informação não confere no cenário nacional. Diante desta situação fica a dúvida: Que escassez é essa? Este assunto dá margem a uma série de textos, porém vou focar no aspecto mais imediato deste desencontro entre empresas, recrutadores, profissionais e jornalistas. Basta uma pesquisa rápida na internet para encontrar as tão famigeradas vagas disponíveis para engenheiros e começar a entender a situação.
Primeiro, é preciso que as empresas entendam que um engenheiro mecânico possui a denominação profissional de engenheiro mecânico, e isso somente. Não existe qualquer referência no CREA a engenheiro mecânico com experiência em calibração de instrumentos de precisão expostos a ambiente corrosivo. Portanto, um engenheiro mecânico que trabalhou por 10 anos em calibração de instrumentos de precisão em ambientes explosivos tem total capacidade de atuar na área de ambientes corrosivos também. De forma mais direta, qualquer engenheiro mecânico será capaz de trabalhar nesta área, após o devido treinamento. É por isso que ele estudou por 5 anos, e por este mesmo motivo o preço pela sua hora de trabalho tem o valor que o CREA estipulou. Se a empresa treinou, ganhou um profissional capaz. Pelo CREA, o piso salarial de um engenheiro é de 8 salários mínimos. Nos valores atuais( meados de 2013) equivale a R$ 5.414,00. As empresas insistem em recusar esta realidade a ponto de configurarem, a grosso modo, quase um cartel salarial. Se ninguém paga o valor pedido, ninguém vai poder exigir barganhando que outra ofereceu. Agrava-se o fato de que pouquíssimas das vagas de recém-formados abrangem este salário. Por outro lado, é ponto comum nos requisitos para vagas de engenheiros a tríade experiência anterior, inglês fluente e experiência em liderança. Sem muito esforço, é natural perceber que citar recém-formado na mesma frase que experiência anterior é no mínimo, mau gosto. Portanto, o mercado está superaquecido para profissionais com experiência, correto? Infelizmente não. Porque se é para preencher uma vaga, a preferência vai para quem tem experiência exatamente naquela área específica. Se este profissional não é encontrado, outro profissional com 15 anos de experiência em uma área ligeiramente distinta também não é uma boa escolha, pois está “velho demais para aprender truque novo”. Mas caso haja a continuidade do desejo de preencher esta vaga com este profissional experiente, a vaga continuará fazendo jus à sua definição de lugar livre, quando durante a entrevista, o engenheiro com 15 anos de experiência, inglês fluente, espírito de liderança, capacidade de lidar em equipe, domínio do pacote Office, Autocad, programação em Visual Basic e residindo próximo ao local de trabalho, se recusar a trabalhar quando souber o valor do salário.

terça-feira, 15 de julho de 2014


Mulheres tẽm dificuldades em ingressar na construção Civil
Valéria Rodrigues
Foto: Pedro Ventura/03/09/2012



Secretaria da Mulher articula garantia de acesso para profissionais formadas pelo programa "Mulheres na Construção"


BRASÍLIA (14/8/13)- Azulejistas e pintoras formadas pelo programa "Mulheres na Construção" acreditam que falta preparo para o mercado para a nova realidade: a presença feminina na Construção Civil, e afirmam que só conseguem trabalho com a articulação governamental.
"O governo preparou a mão de obra, mas o setor não sabe como aplicar. Acham que a gente precisa de encaminhamento para ter emprego. Precisamos sempre ter alguém responsável por nós, seja a Secretaria de Trabalho ou a Secretaria da Mulher", desabafou Lucilene Fernandes Inácio (47) à Agência Brasília.
Ela fez a capacitação em setembro do ano passado e no mesmo mês começou a trabalhar, mas, sem a carteira assinada, decidiu desistir.
Pouco tempo depois, Lucilene Fernandes foi contratada por uma empresa de engenharia para emassar e lixar as paredes de uma obra, mas só ficou por 19 dias: "Eles pegaram oito mulheres, mas pouco depois demitiram a maioria. Eu faço o serviço como um homem faz", declarou.
Inácio agora é estagiária da Escola Técnica de Brasília e a possibilidade profissional veio pela Secretaria da Mulher.
"Cumprimos a etapa da qualificação. Agora vamos para a segunda, que é a inserção no mercado, por meio de parceria com as construtoras, o Sindicato da Construção Civil do DF (Sinduscon) e a Secretaria do Trabalho", declarou a secretária de Estado da Mulher, Olgamir Amancia Ferreira.
Para ela, a qualificação foi um dos pilares para a emancipação, mas é preciso seguir: "Este processo é fundamental para que essas mulheres sejam reconhecidas e tenham autonomia", destacou.
Nívia Maria Batista da Conceição (36) fez o curso para pintor e azulejista e conseguiu emprego na área, com carteira assinada – mas revelou que o preconceito sofrido diariamente a levou a pedir para mudar de função.
"Éramos duas mulheres e um monte de homens e eles vinham para a gente dizer que o serviço não estava rendendo só porque somos mulheres. Eu e minha colega fizemos três apartamentos, os homens fizeram quatro", recordou.
Conceição e sua colega eram pintoras e precisaram emassar e lixar as paredes, preparar para a pintura.
Ela explicou que aguentou por dias a implicância dos colegas de trabalho por sua condição feminina, mas que sucumbiu ao ouvir dos superiores as mesmas críticas: "Eu estava emassando uma parede e o engenheiro veio me perguntar se eu não cansava, já que era serviço de homem", lembrou.
Inácio e Conceição são apenas duas das 322 profissionais formadas no Instituto Federal de Brasília (IFB) pelo programa "Mulheres na Construção" e, de acordo com a Secretaria da Mulher, 80% delas ainda esperam por uma oportunidade no mercado de trabalho.
Para proporcionar um momento de interação e negócios entre as profissionais e as construtoras, a pasta oferecerá um café da manhã na quinta-feira (15), a partir das 9h, no campus do IFB de Samambaia.
A ação faz parte do calendário especial de atividades da pasta, em comemoração ao sétimo ano da Lei Maria da Penha.
Durante o encontro, elas terão a oportunidade de emitir a Carteira de Trabalho e serem inseridas no sistema de oferta de empregos das Agências do Trabalhador do GDF.
CONTRA O PRECONCEITO – A Secretaria da Mulher capacitou gerentes de 15 Agências do Trabalhador para explicar a amplitude do projeto "Mulheres na Construção".
"Como eles são responsáveis por parte da captação de vagas, essa sensibilização serviu também para mostrar a importância de convencer as empresas do setor a oferecerem as vagas com flexibilização de gênero", detalhou a subsecretária de Políticas para as Mulheres, Sandra Di Croce Patrício.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011 mostram que o trabalho doméstico deixou de ser a principal atividade empregatícia: em 2009, 17,1% das mulheres economicamente ativas eram trabalhadoras domésticas e em 2011, esse percentual diminuiu para 15,6%.
Hoje, elas estão mais presentes no comércio, que responde por 17,6% dos empregos, e em segundo lugar estão as atividades de educação, saúde e serviços sociais com 16,8%.