domingo, 18 de maio de 2014

A dificuldade em ser um bom engenheiro no Brasil

    Sem dúvida alguma podemos afirmar que estes últimos anos têm sido uma época em que a engenharia no Brasil está em alta. Bom para nós, engenheiros e bom para o Brasil, pois a valorização dos salários desta classe faz com que sejam atraídos mais interessados, fazendo crescer o corpo de engenheiros do país. É muito clara sua necessidade para um país emergente que necessita tanto de grandes investimentos, principalmente em infraestrutura, como é o nosso caso (seria muito melhor se estes investimentos saíssem dos planos pré-candidatura dos políticos). Basta comparar o número de engenheiros formados por ano no Brasil contra o mesmo número na China.

    Porém, estamos encarando um imenso problema no cenário da engenharia nacional: a pressa! Exatamente. Temos tecnologias muito desenvolvidas em todas as áreas da engenharia civil e know how para sermos auto-suficientes, sem necessitar de "auxílios" externos. Temos uma vasta oferta de produtos voltados a esta área no mercado nacional e também uma demanda aquecida (devido ao boom imobiliário da última década e as obras iniciadas ultimamente para adequar o país aos parâmetros de um anfitrião de grandes eventos esportivos, entre outros). Sofremos, porém, deste mal instaurado pela cultura do brasileiro de ser imediatista e mal planejador. O dito popular "a pressa é inimiga da perfeição" se aplica perfeitamente a este caso.
    A experiência dos países mais evoluídos nas áreas da engenharia mostra que o planejamento e estudos envolvidos na etapa de projeto de suas obras (principalmente as de grande porte) são essenciais na escolha das melhores soluções e redução de impacto que os imprevistos provocam durante a execução, tanto financeiros quanto físicos e nos prazos. É muito comum ouvirmos que grandes projetos, nos países desenvolvidos, consomem cinco anos na sua etapa de projeto para que a execução utilize apenas dois. Aqui, o contrário é preferência nacional, porém com grande distorção destas relações, sendo seis meses de projeto e planejamento para os mesmos 2 anos de execução.
    Os resultados desta prática podem ser facilmente vistos dentro de empresas de projetos em engenharia, mais conhecidas ultimamente como "pastelarias (de projetos)". São adotadas soluções apenas através da experiência dos tomadores de decisão, sem embasamento de estudos aprofundados, o que dificilmente conduz à melhor solução. São encontradas interferências impactantes somente após iniciadas as obras. São produzidos documentos com qualidade inferior à necessária, com menor nível de detalhamento.
    Uma justificativa muito comum para a utilização da técnica da pressa é o fato de que quanto mais cedo for inaugurado um empreendimento, mais cedo este começa a gerar receita. Esta é uma visão totalmente unilateral, vista do lado do capital, onde este tem ditado as regras de prioridades no jogo da engenharia. Deixa-se de lado o impacto do empreendimento na sociedade, a melhor utilização dos recursos envolvidos em sua contrução, a melhor solução para uso e ocupação do solo, a engenharia reversa dos resíduos do processo construtivo, os impactos ambientais, os impactos no tráfego local, as pesquisas de utilização de novas tecnologias, etc. São adotadas as soluções "mais baratas", mesmo que existam outras para um melhor atendimento aos usuários e à sociedade. O próprio governo ajuda a instaurar esta mentalidade por meio de suas licitações. Quem oferece o menor custo é escolhido, mesmo sem ter as garantias necessárias de que o processo é economicamente sustentável. O resultado? Empresas prestando serviços essenciais com a maior economia possível em conforto e segurança. Com a fiscalização deficiente e a presença dos grandes lobbys de mercado, nunca sofrerão sérias repreensões, fato agravado pela dificuldade de acesso da população à justiça.
    Precisamos encontrar outra definição para engenharia, pois nesta, com certeza não se enquadra

7 comentários:

  1. Realmente a pressa é a inimiga da perfeição! Mesmo tendo diversas tecnologias sofremos deste mal instaurado pela cultura do brasileiro de ser imediatista e mal planejador.

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  2. Podemos ter certeza que, infelizmente, é a cultura a maior culpada ...

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. infelizmente o tempo de planejamento de uma obra é inferior ao tempo de execução, conforme o exemplo citado, mas, nós, futuros engenheiros, podemos mudar esse quadro.

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  5. É comum no Brasil obras feitas as pressas, com má qualidade e custos da obras bastante elevando, ainda mais agora que esta se aproximando a copa. Para mudar esta situação devemos ter engenheiros dignos e que queiram fazer excelentes trabalhos.

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