Mulheres tẽm dificuldades em ingressar na construção Civil
Valéria Rodrigues
Foto: Pedro
Ventura/03/09/2012
Secretaria da Mulher articula garantia de
acesso para profissionais formadas pelo programa "Mulheres na
Construção"
BRASÍLIA (14/8/13)- Azulejistas e pintoras
formadas pelo programa "Mulheres na Construção" acreditam
que falta preparo para o mercado para a nova realidade: a presença
feminina na Construção Civil, e afirmam que só conseguem trabalho
com a articulação governamental.
"O governo preparou a mão de obra, mas o
setor não sabe como aplicar. Acham que a gente precisa de
encaminhamento para ter emprego. Precisamos sempre ter alguém
responsável por nós, seja a Secretaria de Trabalho ou a Secretaria
da Mulher", desabafou Lucilene Fernandes Inácio (47) à Agência
Brasília.
Ela fez a capacitação em setembro do ano
passado e no mesmo mês começou a trabalhar, mas, sem a carteira
assinada, decidiu desistir.
Pouco tempo depois, Lucilene Fernandes foi
contratada por uma empresa de engenharia para emassar e lixar as
paredes de uma obra, mas só ficou por 19 dias: "Eles pegaram
oito mulheres, mas pouco depois demitiram a maioria. Eu faço o
serviço como um homem faz", declarou.
Inácio agora é estagiária da Escola Técnica
de Brasília e a possibilidade profissional veio pela Secretaria da
Mulher.
"Cumprimos a etapa da qualificação. Agora
vamos para a segunda, que é a inserção no mercado, por meio de
parceria com as construtoras, o Sindicato da Construção Civil do DF
(Sinduscon) e a Secretaria do Trabalho", declarou a secretária
de Estado da Mulher, Olgamir Amancia Ferreira.
Para ela, a qualificação foi um dos pilares
para a emancipação, mas é preciso seguir: "Este processo é
fundamental para que essas mulheres sejam reconhecidas e tenham
autonomia", destacou.
Nívia Maria Batista da Conceição (36) fez o
curso para pintor e azulejista e conseguiu emprego na área, com
carteira assinada – mas revelou que o preconceito sofrido
diariamente a levou a pedir para mudar de função.
"Éramos duas mulheres e um monte de homens
e eles vinham para a gente dizer que o serviço não estava rendendo
só porque somos mulheres. Eu e minha colega fizemos três
apartamentos, os homens fizeram quatro", recordou.
Conceição e sua colega eram pintoras e
precisaram emassar e lixar as paredes, preparar para a pintura.
Ela explicou que aguentou por dias a implicância
dos colegas de trabalho por sua condição feminina, mas que sucumbiu
ao ouvir dos superiores as mesmas críticas: "Eu estava
emassando uma parede e o engenheiro veio me perguntar se eu não
cansava, já que era serviço de homem", lembrou.
Inácio e Conceição são apenas duas das 322
profissionais formadas no Instituto Federal de Brasília (IFB) pelo
programa "Mulheres na Construção" e, de acordo com a
Secretaria da Mulher, 80% delas ainda esperam por uma oportunidade no
mercado de trabalho.
Para proporcionar um momento de interação e
negócios entre as profissionais e as construtoras, a pasta oferecerá
um café da manhã na quinta-feira (15), a partir das 9h, no campus
do IFB de Samambaia.
A ação faz parte do calendário especial de
atividades da pasta, em comemoração ao sétimo ano da Lei Maria da
Penha.
Durante o encontro, elas terão a oportunidade de
emitir a Carteira de Trabalho e serem inseridas no sistema de oferta
de empregos das Agências do Trabalhador do GDF.
CONTRA O PRECONCEITO – A Secretaria da
Mulher capacitou gerentes de 15 Agências do Trabalhador para
explicar a amplitude do projeto "Mulheres na Construção".
"Como eles são responsáveis por parte da
captação de vagas, essa sensibilização serviu também para
mostrar a importância de convencer as empresas do setor a oferecerem
as vagas com flexibilização de gênero", detalhou a
subsecretária de Políticas para as Mulheres, Sandra Di Croce
Patrício.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (Pnad) 2011 mostram que o trabalho doméstico deixou de
ser a principal atividade empregatícia: em 2009, 17,1% das mulheres
economicamente ativas eram trabalhadoras domésticas e em 2011, esse
percentual diminuiu para 15,6%.
Hoje, elas estão mais presentes no comércio,
que responde por 17,6% dos empregos, e em segundo lugar estão as
atividades de educação, saúde e serviços sociais com 16,8%.
Fonte: Agência Brasília
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